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Cardápio com dois preços: por que salão e delivery se separam
A prática de manter um preço no salão e outro no aplicativo deixou de ser exceção. O que está por trás disso, o que considerar...
Caso de uso
Pizza é o exemplo perfeito de prato que parece barato e engana. Vamos abrir a conta de uma calabresa grande, item por item, até chegar ao valor que sobra em cada canal de venda.
Uma pizza de calabresa não custa apenas massa, molho, mussarela e embutido. O valor correto aparece quando a ficha técnica registra rendimento, perdas, forno, embalagem e as diferenças entre vender no salão ou no aplicativo.
Quem busca saber quanto custa fazer uma pizza de calabresa geralmente encontra uma fórmula curta: some ingredientes e divida pelo preço de venda. Isso ajuda pouco na operação real, porque a pizza usa preparos anteriores, como massa e molho, e pode ter custos diferentes conforme o canal de venda.
A ficha técnica de pizza precisa separar pelo menos quatro blocos:
Para aprofundar: Cardápio com dois preços.
A conta abaixo é um exemplo operacional. Os preços devem ser substituídos pelos valores da nota fiscal mais recente da sua pizzaria, pois fornecedor, região e marca mudam o custo.
A massa e o molho não devem entrar na ficha final como “valor estimado”. O correto é montar uma subficha para cada preparo e apurar o custo por unidade utilizada na pizza.
Imagine uma batida de massa que rende 10 discos no padrão definido pela casa. A receita e os custos registrados na nota podem ficar assim:
| Ingrediente da massa | Quantidade da batida | Custo usado no exemplo |
|---|---|---|
| Farinha de trigo | 2 kg | R$ 11,60 |
| Fermento | 40 g | R$ 1,00 |
| Sal | 40 g | R$ 0,10 |
| Água | 950 ml | R$ 0,03 |
| Azeite | 60 ml | R$ 2,40 |
| Custo total da batida | R$ 15,13 |
Se a batida rendeu 10 discos aproveitáveis, o custo de cada disco é R$ 1,51.
A palavra importante é “aproveitáveis”. Se a receita deveria render 10 discos, mas dois ficaram pequenos, rasgaram ou foram descartados, o rendimento real foi menor. Nesse caso, não divida o custo por 10 só porque essa era a previsão. Divida pelo que de fato foi produzido dentro do padrão.
Agora considere uma panela de molho com tomate pelado, cebola e temperos. A preparação custa R$ 25,50 e rende 25 conchas de 100 g.
| Ingrediente do molho | Custo da panela |
|---|---|
| Tomate pelado | R$ 22,50 |
| Cebola | R$ 1,80 |
| Temperos e azeite | R$ 1,20 |
| Custo total | R$ 25,50 |
O custo por concha é R$ 1,02. Se a pizza de calabresa usa uma concha de 100 g, esse é o valor que entra na ficha final.
O erro mais comum é registrar “uma porção de molho” sem pesar a concha. Se um pizzaiolo usa 80 g e outro usa 130 g, a receita não é padronizada, e o custo de uma pizza muda mesmo quando o preço da nota não mudou.
A mussarela costuma ser simples de calcular quando vem em peça e é fatiada internamente. Basta pesar a porção usada na pizza e aplicar o custo por quilo da nota.
No exemplo, 180 g de mussarela comprada a R$ 42,00 por quilo custam R$ 7,56 por pizza.
A calabresa merece mais atenção. Mesmo comprada já fatiada, pode haver fatias quebradas, pontas ressecadas, descarte por manipulação ou perda na montagem. O fator de correção transforma o custo de compra no custo do produto realmente aproveitado.
Suponha que 1 kg de calabresa fatiada, comprado por R$ 30,00, renda 960 g utilizáveis. O fator de correção é:
1.000 g ÷ 960 g = 1,0417
O custo do quilo útil passa a ser R$ 31,25. Se cada pizza leva 110 g de calabresa aproveitável, o custo é R$ 3,44.
A montagem do recheio fica assim:
| Componente | Quantidade por pizza | Custo |
|---|---|---|
| Disco de massa | 1 unidade | R$ 1,51 |
| Molho | 1 concha de 100 g | R$ 1,02 |
| Mussarela | 180 g | R$ 7,56 |
| Calabresa com fator de correção | 110 g | R$ 3,44 |
| Orégano e acabamento | porção padrão | R$ 0,10 |
| Ingredientes da pizza | R$ 13,63 |
O fator de correção deve ser medido na sua cozinha. Não use uma perda copiada de outra pizzaria. Faça o teste com uma embalagem inteira, pese o que entrou, o que foi descartado e o que ficou sem condição de uso.
Para repetir esse cálculo no cardápio todo, use o custo automático por prato da FichaViva.
A pizza também consome recursos que não aparecem na bancada. Gás, lenha e energia do forno são custos diretamente ligados ao preparo, mesmo que venham em contas separadas.
Para apurar esse valor, escolha um período de controle, registre o gasto do forno e divida pelas pizzas efetivamente assadas no período. Se o forno atende outros produtos, como esfihas ou pães, distribua o custo conforme o uso real ou a quantidade de fornadas.
No exemplo, o rateio de gás, lenha e energia do forno ficou em R$ 1,20 por pizza. Também foram incluídos R$ 3,80 de mão de obra produtiva e R$ 0,35 de higienização e insumos de produção.
A mesma pizza custa diferente no salão e no delivery:
| Item | Salão | Aplicativo |
|---|---|---|
| Ingredientes | R$ 13,63 | R$ 13,63 |
| Forno, energia ou lenha | R$ 1,20 | R$ 1,20 |
| Mão de obra produtiva | R$ 3,80 | R$ 3,80 |
| Higienização e insumos | R$ 0,35 | R$ 0,35 |
| Caixa | R$ 0,00 | R$ 2,20 |
| Sacola | R$ 0,00 | R$ 0,35 |
| Taxa de cartão no salão | R$ 0,90 | R$ 0,00 |
| Comissão do aplicativo, sobre venda de R$ 49,00 | R$ 0,00 | R$ 5,88 |
| Subsídio líquido da entrega | R$ 0,00 | R$ 3,00 |
| Custo direto total | R$ 19,88 | R$ 30,41 |
No último item, considere o custo líquido. Se a entrega custa R$ 8,00 e o cliente paga R$ 5,00 de taxa, a pizzaria subsidia R$ 3,00. Se o aplicativo desconta a entrega no repasse, registre o desconto exatamente como aparece no extrato.
Essa comparação é essencial para calcular a margem de pizzaria delivery. Vender a pizza por R$ 45,00 no salão e por R$ 49,00 no aplicativo não significa que o delivery seja automaticamente mais rentável. Comissão, embalagem e entrega podem consumir a diferença.
Quando a nota da mussarela aumenta, não espere o fechamento do mês para descobrir o efeito. Atualize o preço do insumo e veja quanto mudou o custo por pizza.
Se o quilo subir de R$ 42,00 para R$ 50,00, os 180 g da receita passam de R$ 7,56 para R$ 9,00. A pizza ficou R$ 1,44 mais cara antes de considerar qualquer outro ajuste.
As decisões possíveis precisam ser comparadas na ficha, não tomadas só pela sensação de que “o queijo está caro”:
Leitura complementar: Precificar prato com imposto e taxa.
Reduzir de 180 g para 165 g pode aliviar o custo, mas exige teste de montagem e assamento. Se a pizza perde cobertura, a economia pode virar reclamação, desconto ou queda de recompra.
A primeira montagem exige conferência. É preciso pesar uma batida completa de massa, uma panela de molho, a porção de mussarela, a calabresa útil e os materiais de embalagem. Depois, a rotina passa a depender principalmente de atualizar notas e revisar rendimentos quando algo muda.
A ordem de execução mais segura é:
Não confunda custo direto com lucro final. Aluguel, administração, marketing, impostos e outras despesas precisam ser acompanhados no resultado da operação. Ainda assim, se a pizza já sai com custo direto errado, qualquer cálculo posterior também estará errado.
O custo de uma pizza de calabresa fica confiável quando cada parte da produção tem rendimento, gramatura e preço atualizado. Massa, molho, calabresa com perda, forno e canal de venda precisam aparecer na mesma conta para orientar preço, promoção e compra.
O FichaViva ajuda a manter essas subfichas conectadas às notas de compra e a visualizar quando um ingrediente leva um item do cardápio ao vermelho. Para avaliar como isso funciona na rotina da sua pizzaria, peça uma demonstração.
Este conteúdo é assinado por Jimenez Julien, editor do FichaViva.
Abrir a conta de uma pizza dá trabalho, mas é factível; fazer isso com o cardápio inteiro toda semana, não. A FichaViva refaz esse cálculo sozinha sempre que uma nota nova muda o preço do queijo.
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