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Como escolher um sistema de ficha técnica para restaurante
Os critérios que importam na hora de comparar ferramentas de custo de cardápio, do tratamento de subfichas à leitura do XML da...
Custos e preço
Multiplicar o custo por três é a regra mais repetida e a que mais quebra cozinha. Aqui vai a conta na ordem correta, com o imposto e a taxa entrando onde devem entrar.
Preço de venda não sai de um multiplicador escolhido por hábito. Ele precisa cobrir a ficha técnica, impostos, meios de pagamento, custos específicos do canal e a margem que sustenta a operação.
Para chegar a um valor defensável, o restaurante deve calcular cada percentual sobre o preço de venda e atualizar os insumos quando a nota fiscal muda.
O ponto de partida para entender como calcular preço de venda de prato é a ficha técnica atualizada. Some ingredientes, perdas previstas no preparo, rendimento da receita e porção servida.
Para aprofundar: Escolher um sistema de ficha técnica.
Inclua no custo direto tudo o que varia quando uma unidade é vendida. No salão, isso pode envolver guardanapo, sachê, embalagem para sobra e taxa de embalagem, se houver. No delivery, a conta precisa ser mais completa.
Custos que normalmente entram no cálculo por unidade:
Aluguel, folha de pagamento, energia, manutenção e pró labore não desaparecem da conta. Eles precisam ser cobertos pela margem gerada pelos pratos. Por isso, definir uma margem sem conhecer os custos fixos mensais leva a um preço aparentemente rentável, mas incapaz de pagar a operação.
Não use o valor da última compra como padrão se o estoque ainda contém mercadoria adquirida por outro preço. O ideal é definir uma regra de custo, como custo médio, e aplicá la de forma consistente. O importante é que a ficha reflita o custo que a cozinha terá para repor aquele insumo.
O markup restaurante costuma ser apresentado como um número para multiplicar o custo do prato. Se um prato custa R$ 12 e o gestor usa markup 3, o preço sugerido será R$ 36.
O problema é que o multiplicador pode esconder taxas diferentes entre os canais. Um prato vendido no balcão em dinheiro, no cartão de crédito e em um aplicativo de delivery não deixa a mesma sobra, mesmo que tenha o mesmo preço de cardápio.
Margem é a parcela do preço que sobra depois dos custos variáveis. Ela é calculada sobre a receita de venda. Markup é a relação entre preço e custo.
| Conceito | Base de cálculo | Exemplo com custo de R$ 12 e preço de R$ 36 |
|---|---|---|
| Markup | Preço dividido pelo custo | 3 |
| Margem bruta antes de taxas | Receita menos custo, dividido pela receita | 66,67% |
| Custo sobre a venda | Custo dividido pela receita | 33,33% |
Um markup fixo não informa se o preço paga comissão de aplicativo, imposto, cartão e a margem pretendida. Ele pode funcionar como conferência, depois de feito o cálculo, mas não deve ser a origem do preço.
A forma mais segura é partir da margem desejada e separar cada despesa percentual. Assim, quando a taxa de maquininha no preço ou a comissão do delivery mudar, o impacto aparece imediatamente.
A Lei Complementar 123/2006 estabelece o regime do Simples Nacional e suas tabelas por anexos, faixas de receita e atividades. Para restaurante, não basta copiar uma alíquota vista em outro negócio: o enquadramento depende do CNAE, da receita e de eventuais atividades adicionais.
O caminho mais prático é olhar o PGDAS D e o Documento de Arrecadação do Simples Nacional, o DAS. Na apuração mensal, identifique a receita usada como base para o cálculo e o valor do DAS vinculado a ela.
A alíquota efetiva apurada no mês pode ser verificada assim:
valor do DAS ÷ receita tributada no período × 100
Se o restaurante faturou R$ 100.000 em receitas sujeitas àquela apuração e o DAS foi de R$ 6.000, a alíquota efetiva observada foi 6%. Este é apenas um exemplo de cálculo, não uma alíquota aplicável a todos os restaurantes.
Para projetar a simples nacional restaurante alíquota do próximo período, o contador ou responsável pela apuração deve considerar a receita bruta acumulada nos últimos 12 meses, a tabela aplicável e a parcela a deduzir. A fórmula prevista na LC 123/2006 é:
(receita bruta dos últimos 12 meses × alíquota nominal, menos parcela a deduzir) ÷ receita bruta dos últimos 12 meses
Depois, confira se a receita foi segregada corretamente no PGDAS D. Venda com tributação específica, receitas de atividades distintas e situações estaduais ou municipais podem exigir tratamento próprio. Em caso de dúvida, use a alíquota efetiva do DAS já pago como referência de curto prazo e valide a projeção com a contabilidade.
Não confunda a alíquota do Simples com o lucro do restaurante. O imposto é apenas uma das saídas percentuais do preço.
A taxa de cartão deve entrar no cálculo conforme o meio de pagamento aceito. Débito, crédito à vista e crédito parcelado costumam ter custos diferentes, definidos no contrato com a adquirente ou subadquirente.
Além da taxa, observe o prazo de recebimento. Receber depois pode exigir antecipação para pagar fornecedor, folha ou aluguel. Se houver custo de antecipação, ele também reduz a sobra da venda e deve ser incluído na análise.
Monte uma tabela por canal e forma de pagamento. Ela evita aplicar ao salão a comissão do aplicativo ou esquecer que um pedido parcelado tem custo maior.
Para não refazer essa conta na mão todo mês, veja a precificação com imposto e taxa da FichaViva.
| Canal ou pagamento | Custos a considerar |
|---|---|
| Balcão em dinheiro ou Pix | Custo do prato, imposto e margem desejada |
| Débito | Custo do prato, imposto, taxa de débito e margem |
| Crédito à vista | Custo do prato, imposto, taxa de crédito e impacto do prazo |
| Crédito parcelado | Custo do prato, imposto, taxa do parcelamento, prazo e eventual antecipação |
| Aplicativo de delivery | Custo do prato, embalagem, descartáveis, comissão, taxas do pedido, imposto e margem |
A comissão do aplicativo é percentual e entra no denominador do cálculo, junto com imposto e cartão. A embalagem entra no numerador, pois é um valor em reais por pedido ou por prato.
Se o aplicativo cobra publicidade, mensalidade ou serviço fixo, não atribua o valor inteiro a um único prato. Trate esse gasto como custo fixo do canal e avalie se a margem das vendas daquele canal o cobre ao longo do mês.
A fórmula abaixo calcula um preço que cobre custos unitários e percentuais, preservando a margem planejada:
Preço de venda = custo direto unitário ÷ [1 menos impostos menos taxas percentuais menos margem desejada]
Considere um prato vendido por delivery. Os números são apenas um exemplo didático.
A conta fica:
Preço = 16 ÷ (1 menos 0,06 menos 0,18 menos 0,25)
Preço = 16 ÷ 0,51
Preço = R$ 31,37
O preço técnico seria R$ 31,37. Para o cardápio, o gestor pode arredondar para R$ 31,90 ou R$ 32,00, desde que refaça a conferência da margem no valor escolhido.
Leitura complementar: Planilha ou sistema de ficha técnica.
Se o preço for R$ 31,90, os custos estimados serão:
Essa sobra representa cerca de 25,9% da venda. É ela que ajuda a pagar a estrutura fixa e formar resultado. No balcão, sem comissão de aplicativo e talvez com menor custo de embalagem, o preço necessário pode ser diferente.
O maior esforço está na organização inicial: conferir rendimentos, padronizar unidades de medida, registrar embalagens e separar regras por canal. Depois, a manutenção deve acompanhar a entrada de notas fiscais e as mudanças nas taxas.
Faça a revisão nesta ordem:
Quando um insumo sobe, não é obrigatório reajustar todo o cardápio no mesmo dia. Primeiro, identifique quais pratos realmente dependem dele e quanto o aumento representa por porção. Às vezes a correção cabe no preço, às vezes exige negociação com fornecedor, troca de item ou revisão de desperdício.
Um erro comum é repassar somente a alta do ingrediente e ignorar que imposto, comissão e cartão incidem sobre o novo preço. Outro é manter um único preço para todos os canais sem saber se o delivery suporta a mesma margem do salão.
Precificar bem significa transformar custo da ficha técnica, imposto, meio de pagamento e canal de venda em uma conta verificável. O preço final pode ser arredondado para o cardápio, mas precisa continuar cobrindo as saídas variáveis e a margem definida para a operação.
O FichaViva ajuda a manter o custo das fichas conectado aos preços das notas fiscais e a identificar itens que passaram para o vermelho. Para avaliar como isso se encaixa na rotina da sua cozinha, peça uma demonstração.
Este conteúdo é assinado por Jimenez Julien, editor do FichaViva.
Definir o preço uma vez é fácil; refazer a conta a cada nota nova é que consome a semana. A FichaViva recalcula o preço sugerido com imposto, cartão e comissão sempre que o custo se mexe.
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