
Checklist
Checklist do inventário de estoque para fechar o CMV do mês
A sequência prática de contagem, do congelador ao estoque em produção, para o inventário não atrapalhar o fechamento. Traz também...
Tendências
Cobrar mais caro no aplicativo virou rotina em muita cozinha, e não é ganância: é a comissão e a embalagem aparecendo no preço. Vale entender a mecânica antes de decidir o que fazer no seu cardápio.
O mesmo prato pode ter custo e margem diferentes conforme o canal de venda. Separar preço de salão e delivery ajuda a enxergar os gastos que o aplicativo adiciona e a decidir o reajuste com base na conta real.
No salão, o prato usa a estrutura do restaurante, equipe, louça ou descartáveis próprios e atendimento presencial. No delivery, a operação acrescenta custos específicos, mesmo que a receita e a ficha de ingredientes sejam idênticas.
A comissão de aplicativo de delivery é o item mais visível, mas raramente é o único. Dependendo do contrato e da modalidade escolhida, ela pode incidir sobre o valor dos produtos, sobre parte do pedido ou vir acompanhada de outros serviços cobrados pela plataforma.
Para aprofundar: Checklist do inventário de estoque.
Também entram na conta:
Não basta considerar que a embalagem custa pouco. Em um item de margem apertada, a soma de embalagem, comissão e perdas de expedição pode transformar um prato aparentemente rentável em um item que consome caixa.
Por isso, a pergunta não é apenas quanto aumentar o preço no delivery. A pergunta correta é: qual preço mantém a margem desejada depois de pagar todos os custos daquele canal?
O ponto de partida é o custo atualizado da receita, incluindo ingredientes e rendimento real. Depois, some os custos fixos por pedido que só existem no delivery e separe as cobranças percentuais, como comissão, impostos e taxas de pagamento.
Evite aplicar um acréscimo redondo, como “colocar mais 20%”. Esse número pode ser insuficiente para um prato barato, exagerado para outro de ticket maior e incapaz de cobrir uma comissão calculada sobre o novo preço.
Use esta estrutura para cada prato ou grupo de pratos semelhantes:
Preço de delivery = custos fixos do pedido ÷ (1 - percentuais do canal - margem desejada)
Nos custos fixos do pedido, inclua custo dos ingredientes, embalagem, sacola, descartáveis, subsídio de frete e uma provisão realista para retrabalho. Nos percentuais, inclua comissão contratada, taxas aplicáveis, impostos que incidam sobre a venda e a margem que você quer preservar.
Exemplo hipotético: um prato tem custo de ingredientes de R$ 18, embalagem e sacola de R$ 2,50, e provisão de R$ 0,50 para perdas e retrabalho. O custo fixo do pedido é R$ 21. Se os percentuais de comissão, taxas, tributos e margem desejada deixarem 50% do preço disponível para cobrir esses custos, o preço mínimo seria R$ 42.
O exemplo não substitui a sua conta. A comissão varia por plataforma, plano contratado, região, campanha e serviços incluídos. Os impostos também dependem do regime tributário e devem ser confirmados com a contabilidade.
O trabalho inicial exige conferência item a item, principalmente em cardápios com muitas variações, adicionais e tamanhos. Depois de organizada a base, a rotina fica mais simples: revisar preços de compra, contratos, embalagens e promoções sempre que houver mudança relevante.
Em geral, é possível trabalhar com preço diferente no iFood e no salão, porque são canais com custos e condições comerciais distintos. Mas a resposta prática depende do contrato vigente de cada plataforma e das regras aceitas pelo restaurante ao operar no marketplace.
Algumas plataformas podem estabelecer condições sobre paridade de preços, participação em promoções, descontos, frete e exposição do cardápio. Outras permitem configurações específicas conforme plano, área de entrega ou modalidade logística. Não use uma regra relatada por outro restaurante como referência contratual.
Antes de alterar valores, verifique:
A transparência com o consumidor é indispensável. Pelo Código de Defesa do Consumidor, preço, condições da oferta e cobranças devem estar claros antes da finalização do pedido. No aplicativo, o cliente precisa enxergar o valor dos itens, entrega e descontos conforme a interface da plataforma.
No salão, não cobre outro preço sem informar corretamente no cardápio ou no ponto de venda. O problema não é existir diferença entre canais, mas surpreender o cliente com um valor que não estava exposto.
Para comparar os dois canais sem planilha paralela, veja o preço sugerido por canal da FichaViva.
O cliente sabe que pedir em casa envolve conveniência, entrega e intermediação. Ainda assim, ele compara preços, especialmente quando reconhece o restaurante e encontra o mesmo prato mais barato no balcão.
A comunicação deve ser simples e verdadeira. Não é necessário justificar cada custo operacional, mas vale deixar claros os benefícios de cada canal.
Uma abordagem prática é oferecer no cardápio próprio e nas redes sociais opções como:
Evite frases que ataquem o aplicativo ou pressionem o cliente a sair dele. O marketplace pode ser a porta de entrada para novos consumidores, enquanto o pedido direto pode funcionar melhor para clientes recorrentes. Cada canal deve ser avaliado pela margem, capacidade operacional e perfil do público.
Também não esconda custos em produtos muito baratos e deixe outros itens absorverem tudo sem acompanhamento. Essa estratégia pode distorcer o cardápio. É mais seguro revisar categorias, como entradas, pratos principais, bebidas, sobremesas e adicionais.
Pedido direto não significa pedido sem custo. No WhatsApp, o restaurante pode evitar parte da comissão de aplicativo de delivery, mas assume tarefas que a plataforma organiza: atendimento, confirmação, cobrança, acompanhamento do entregador e solução de problemas.
O link de pagamento pode ter taxa de processamento, e a entrega pode exigir motoboy próprio, parceiro ou serviço avulso. Há ainda o custo de tempo da equipe para responder mensagens, corrigir endereço, confirmar troco e registrar o pedido no sistema de produção.
Monte uma ficha de custo por canal, mesmo para o mesmo prato:
| Componente | Salão | Marketplace | Pedido direto |
|---|---|---|---|
| Ingredientes | Sim | Sim | Sim |
| Embalagem | Conforme consumo | Sim | Sim |
| Comissão da plataforma | Não | Conforme contrato | Não |
| Taxa de pagamento | Conforme meio de pagamento | Conforme modelo | Conforme link ou maquininha |
| Entrega | Não | Conforme contrato | Conforme operação própria |
| Atendimento e conferência | Salão | Expedição | Mensagens e expedição |
O pedido direto pode ter margem melhor, mas isso só aparece quando todos os custos são registrados. Se o WhatsApp gera confusão, erro de pedido e atraso na cozinha, a economia de comissão pode ser perdida em retrabalho e cancelamento.
Leitura complementar: Escolher um sistema de ficha técnica.
O erro mais comum é usar a ficha técnica do salão como se ela fosse a conta final do delivery. Ela mostra o custo da preparação, mas não representa automaticamente o custo de vender, embalar, receber e entregar o pedido.
Outro erro é diluir a embalagem em uma média única para todo o cardápio. Uma marmita pode exigir pote, tampa, sacola e talher, enquanto uma pizza usa caixa, lacre e embalagem para molhos. Cada composição precisa refletir o consumo real.
Também é perigoso aceitar promoções sem simular quem absorve o desconto. Antes de aderir, calcule o preço líquido que sobra após comissão, subsídio, desconto e impostos. Se a margem não fecha, limite a promoção a itens com estrutura para suportá-la ou recuse a campanha.
Por fim, acompanhe o resultado depois do reajuste. Compare preço de venda, valor recebido, custo atualizado, reclamações, cancelamentos e vendas por canal. Se a cozinha passou a errar mais porque o volume de delivery aumentou, o custo operacional mudou e a conta precisa ser refeita.
Preço diferente entre salão e delivery não é arbitrariedade quando reflete custos diferentes e é informado com clareza. A precificação para delivery deve considerar comissão, embalagem, entrega, taxas, retrabalho e a margem necessária para sustentar a operação.
O FichaViva ajuda a acompanhar o custo atualizado de cada prato com os preços reais das compras e a identificar itens que entraram no vermelho. Para avaliar como isso pode organizar a análise por canal no seu cardápio, peça uma demonstração.
Este conteúdo é assinado por Jimenez Julien, editor do FichaViva.
Manter dois preços na mão exige recalcular tudo duas vezes a cada mudança de custo. A FichaViva mostra a margem do salão e a do delivery lado a lado, com a comissão que você informou.
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