
Custos e preço
Como precificar um prato com Simples Nacional e taxa de cartão
Da ficha técnica ao preço no cardápio, passando por imposto, taxa de maquininha, embalagem e a margem que você quer de verdade...
Checklist
Inventário feito de qualquer jeito estraga o número do mês inteiro e ainda cria discussão entre sócios. Este é o roteiro que dá para seguir em duas horas, com a cozinha parada.
Um inventário bem feito transforma a contagem de produtos em uma base confiável para calcular o CMV e entender onde a margem da operação se perdeu. Este checklist organiza o trabalho do fim de mês, da preparação das prateleiras à conferência das divergências.
Inventário é a contagem física e a valorização de tudo que ficou no estoque em uma data definida. Entram ingredientes, bebidas, embalagens, produtos de limpeza e também itens parcialmente preparados, como molho, massa e proteína marinada.
No fechamento de mês restaurante, o estoque final é parte da fórmula básica do Custo da Mercadoria Vendida:
Para aprofundar: Precificar prato com imposto e taxa.
CMV em reais = estoque inicial + compras do período - estoque final
Para encontrar o CMV percentual, divida o CMV em reais pela receita líquida do período, usando o mesmo critério todos os meses. Se a receita considerada desconta taxas de aplicativos, cancelamentos ou impostos, mantenha esse padrão nos fechamentos seguintes.
A contagem não serve apenas para a contabilidade. Ela ajuda a comparar o consumo físico com o consumo teórico apurado pelas fichas técnicas, identificar perdas, compras fora do padrão, porcionamento irregular e falhas de registro.
O principal requisito de um inventário confiável é que ele tenha um corte claro. Escolha data e horário que coincidam com o encerramento das compras e vendas do período.
Se o mês fecha no último dia, o estoque deve ser contado depois da última produção e do último recebimento incluído naquele mês. Caso haja compra após a contagem, ela pertence ao período seguinte ou precisa ser registrada separadamente, conforme a regra definida pela gestão e pela contabilidade.
Prepare o espaço antes da equipe começar a contar. Isso reduz retrabalho e evita que um produto seja contado duas vezes em lugares diferentes.
A compatibilidade de unidades merece atenção especial. O fornecedor pode vender queijo em quilos, enquanto a ficha técnica usa gramas. Óleo pode ser comprado em litros e usado em mililitros. Uma planilha de inventário restaurante precisa converter essas unidades antes de multiplicar quantidade pelo preço.
| Compra ou armazenamento | Unidade da ficha técnica | Conversão a registrar |
|---|---|---|
| Saco de farinha de 5 kg | Grama | 5.000 g por saco |
| Caixa com latas | Unidade ou ml | Quantidade e volume por lata |
| Óleo em garrafa de 900 ml | Mililitro | 900 ml por garrafa |
| Filé congelado em caixa | Quilo ou grama | Peso líquido informado e peso físico |
| Embalagem para delivery | Unidade | Unidades por pacote |
Não deixe a conversão na memória de uma pessoa. Registre a unidade padrão de cada item e use sempre a mesma na contagem, nas fichas técnicas e nos relatórios.
A ordem evita que a equipe circule sem critério e reduz o risco de esquecer áreas. Faça o inventário com a cozinha o mais parada possível, de preferência após o encerramento da operação ou antes da abertura.
A sequência recomendada é:
Comece pelo congelador porque produtos congelados costumam ficar em caixas fechadas, com menor movimentação durante a contagem. Registre caixas inteiras, pacotes abertos e peso de produtos fracionados. Se houver gelo excessivo, embalagem sem identificação ou produtos empilhados sem acesso, resolva isso antes de estimar quantidades.
Na câmara fria, conte hortifruti, laticínios, proteínas resfriadas, molhos e preparos armazenados. Pese os itens abertos sempre que possível. Estimativas visuais podem ser usadas apenas quando não houver alternativa, anotando que se trata de estimativa para revisão posterior.
Na despensa seca, confira produtos no estoque central, em prateleiras de apoio e em recipientes de uso diário. Um erro comum na contagem de estoque cozinha é contar o pacote fechado e esquecer a farinha, o açúcar ou os temperos que já foram transferidos para potes.
Bebidas devem incluir geladeiras, depósito, bar, câmaras e produtos em consignação, quando aplicável. Descartáveis e produtos de limpeza não entram diretamente no CMV de alimentos, mas precisam ser acompanhados como custo operacional. Mantê-los na mesma rotina evita perdas e compras desnecessárias.
Molho pronto, massa descansando, caldo, recheio, carne marinada e outros preparos em andamento têm valor e precisam entrar no inventário. Ignorá-los faz o estoque final parecer menor e pode inflar o CMV do mês.
Para ligar contagem e receita no mesmo lugar, conheça as fichas técnicas com rendimento da FichaViva.
O caminho é converter o preparo de volta em insumos, usando a ficha técnica ou a receita padronizada. Não é necessário desmontar fisicamente uma cuba de molho. É preciso saber quanto foi produzido, qual receita foi usada e qual rendimento ela entrega.
Exemplo prático: uma receita de molho rende 10 kg e usa tomate, cebola, óleo e temperos. Se há 3 kg de molho pronto na câmara, o estoque em produção corresponde a 30% dos insumos daquela receita, considerando o rendimento registrado.
Para proteína marinada, registre separadamente o peso da proteína e, se relevante, o custo dos ingredientes da marinada. Para massas, use a receita e o rendimento real da produção. Se o rendimento ainda não é conhecido, faça uma pesagem e ajuste a ficha técnica depois, em vez de criar uma estimativa permanente.
A contagem em dupla reduz erros simples de leitura, digitação e interpretação de embalagem. Uma pessoa conta ou pesa, a outra anota. Depois, troquem de função em uma área crítica ou façam uma segunda conferência por amostragem.
Quem compra não deve ser a única pessoa a validar o inventário. O ideal é envolver alguém da cozinha, alguém responsável pelo estoque e a gestão. Em operações pequenas, o dono ou chef pode acompanhar os itens de maior valor, como proteínas, queijos, bebidas e produtos importados.
Uma planilha de inventário restaurante deve ter, no mínimo:
Ao terminar cada ambiente, compare a quantidade física com o saldo esperado pelo controle interno. Se houver diferença relevante, não deixe para investigar na semana seguinte. Reconte o item, procure caixas em outro setor, confira recebimentos recentes e verifique se houve saída para produção sem registro.
Também confira se o preço utilizado para valorizar o estoque corresponde às compras mais recentes ou ao critério contábil definido para o negócio. O importante é aplicar o mesmo método com consistência, alinhado com quem faz sua contabilidade.
Leitura complementar: Montar a ficha técnica passo a passo.
Depois de somar o estoque final, feche as compras do período e calcule o CMV. Compare o resultado com o CMV teórico das fichas técnicas, considerando as vendas registradas no caixa e nos aplicativos de delivery.
Quando o CMV físico é maior que o teórico, houve consumo ou custo não explicado pelo padrão de venda. A causa pode estar em desperdício, perdas por vencimento, erro de porcionamento, refeição de equipe sem registro, cortesia, furto, lançamento errado de nota ou falha na própria ficha técnica.
Antes de mudar preço de cardápio, investigue a origem da diferença. A correção deve seguir uma ordem:
O esforço do inventário depende do tamanho da operação, da organização e da quantidade de SKUs. Uma primeira contagem costuma exigir mais tempo porque revela itens duplicados, unidades confusas e áreas sem padrão. Nos meses seguintes, a rotina tende a ficar mais rápida se o estoque permanecer organizado e os cadastros forem mantidos.
Para quem busca como fazer inventário de estoque restaurante, o ponto central é repetir um processo disciplinado: mesmo corte de data, unidades padronizadas, contagem por ambiente, registro dos preparos em produção e conferência imediata das diferenças. O inventário não precisa ser perfeito na primeira vez, mas precisa ser consistente o suficiente para mostrar onde investigar.
O FichaViva ajuda a conectar fichas técnicas, preços de notas fiscais e custo dos itens do cardápio, facilitando a comparação entre custo teórico e resultado da contagem física. Para avaliar como isso se encaixa na rotina da sua cozinha, peça uma demonstração.
Este conteúdo é assinado por Jimenez Julien, editor do FichaViva.
O inventário mostra quanto saiu; a ficha técnica mostra quanto deveria ter saído. Comparar os dois é o que revela quebra, porção fora do padrão e desvio de estoque.
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